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Dor nos ombros, cabeça, pernas, garganta, ouvidos, estômago. Se não é dor, pode ser intestino preso, problemas com o sono… a lista segue. Quantas e quantas vezes não passamos por alguma dessas enfermidades, não é mesmo? Sua procedência pode ter origem genética ou talvez seja o corpo tentando se comunicar com você.

O corpo querendo se comunicar? Como assim? É que nosso organismo fala continuamente, afinal, somos seres íntegros e separar corpo e mente não faz o mínimo sentido. O que somos internamente sempre será expresso, de alguma forma, no exterior.

Dores no corpo e doenças fruto de desequilíbrio emocional são o que os estudiosos chamam de enfermidades psíquicas. Uma emoção muito grande ou sentimento mal resolvido não passa despercebido pelo corpo.

Quando reprimimos emoções ruins, na verdade as armazenamos no inconsciente que, por sua vez, passa mensagens para o sistema nervoso. Com isso, sentimos os reflexos negativos concretamente em algum órgão ou sistema mais propenso do organismo.

O que acontece é que, muitas vezes, acabamos por não dar atenção ou nos acostumamos com a dor. Quando a levamos em consideração, buscamos ajuda médica para investigar o que está acontecendo mas, por vezes, o diagnóstico é inconclusivo. Você já passou por isso?

Se sua resposta for positiva, saiba que você não está sozinho. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma a cada cinco apresenta pelo menos seis sintomas físicos que não possuem explicação orgânica. Em outras palavras, têm doenças psicossomáticas.

O que é Psicossomática

A primeira vez em que a palavra foi usada era o ano de 1808, pelo psiquiatra alemão Heinroth. O termo fala de Psique (mente) e soma (corpo), fazendo referência à origem psicológica de determinada doença e também às emoções advindas de doença física.

Nesses casos, a questão vai muito além da doença em si. Para tratar o problema, é preciso descobrir sua origem, visto que a pessoa portadora dela é um ser biológico, psicológico e social. A partir disso, pode-se avaliar qual é a ação terapêutica mais adequada.

“Diga-me onde dói e te direi por quê!”

Muitas situações que vivemos no dia a dia causam uma série de sentimentos. Cada uma tem a ver com certo tipo de resposta no organismo, mediada pelo Sistema Nervoso Autônomo. Isso leva à ativação do Sistema Endócrino, o que pode gerar desequilíbrio no corpo, se não houver correto andamento.

Em palavras mais simples, se não externalizamos as emoções por meio da fala, o corpo vai dar um outro jeito de falar. É aí que surgem as dores e as doenças. Cada indivíduo vai sentir os fatos da vida de uma forma. Devido a isso, as consequências também são diferentes para cada um. Daí a importância do tratamento de forma individualizada.  

De acordo com Michael Odoul, autor do livro “Diga-me onde dói e te direi por quê”, até mesmo o lado do corpo onde mais se concentra a dor tem de ser levada em consideração.

É que as alterações do lado esquerdo estão associadas com aspectos do Yang, que quer dizer a parte masculina. Isso inclui questões de força (autoridade, hierarquia, lado esquerdo do cérebro) e que têm a ver com homens, seja marido, pai, filho, irmão ou seja quem for.

Quando se fala em dores do lado direito, entretanto, relaciona-se com aspectos Yin, que é o lado feminino. Isso inclui sentimentos – lado direito do cérebro, sociedade, igreja, empresa – e relacionamentos com mãe, esposa, filha, irmã, mulheres em geral.

Dores psicossomáticas mais comuns

– Cabeça: dor de cabeça, enxaqueca, visão turva, alterações no equilíbrio e na motricidade;

– Pele: alergias, ardência coceira, ac, formigamentos;

– Intestino: prisão de ventre, diarreia;

– Garganta: infecções, sensação de nó na garganta;

– Coração e circulação: dores no peito, palpitações, pressão alta e aumento das chances de infarto;

– Estômago: náusea, azia, gastrites e úlceras gástricas;

Sistema urinário: dor ou dificuldade para urinar;

– Órgãos sexuais: impotência, diminuição da libido, dificuldade para engravidar, alterações no ciclo menstrual;

– Sistema respiratório: falta de ar e sensações de sufocamento;

– Músculos, articulações, tremores e outros: tensão nos ombros, formigamentos, dores musculares, dor no nervo ciático.

Vamos falar de alguns deles, os mais comuns:

Dor no nervo ciático

Sabe a dor que começa na região lombar e sacral das costas, passa pelo bumbum e pela parte de trás das pernas, chegando nos pés? Sim, aquela que dificulta o andar, sentar ou virar na cama. É a famosa dor no ciático.

Esse tipo de dor é sentido por pessoas que têm dificuldade de abandonar hábitos, preceitos e a maneira como encontram equilíbrio quando estão diante de mudanças; pode ainda acontecer em situações em que não conseguem fazer com que seus desejos passem a ser realizados.

Para dar um bom exemplo, podemos citar o bloqueio do nervo ciático, que impede de andar ou mesmo de permanecer em pé: a paralisia ciática. Ela revela o nível do choque emocional, fruto do que a pessoa tem vivido. Isso toma conta dela a ponto de não conseguir aliviar os sintomas e se restabelecer.

Se essas questões não forem tratadas, não raro evoluem para outras, como depressão, ansiedade, transtorno do pânico, dentre outras.

Enxaqueca

A revolta, contrariedade, estresse e o fato de ficar remoendo situações passadas fazem essa doença se manifestar. Trata-se da dificuldade de aceitar sentimentos que incomodam. Normalmente, a pessoa está envolta a muitos pensamentos negativos.

Se as dores de cabeça são frontais, provavelmente estão ligadas a uma pessoa que está sendo teimosa, arraigando-se a certos preceitos. Aqui, estamos falando de questões associadas ao social e ao profissional e como elas exigem do indivíduo.

Já a dor nas laterais da cabeça – partindo da nuca para terminar na direção das têmporas ou do lado dos olhos – indica que a tensão é, geralmente, de ordem afetiva. Tem a ver com o familiar ou íntimo.

Dor nos ombros

Segundo a psicossomática, aquela famosa frase sobre “carregar o mundo nas costas” não é à toa. Por quê? Porque dores nos ombros estão geralmente associadas a assumir muitas responsabilidades e estar sobrecarregado com elas.

Pode até ser que se esteja assumindo de forma demasiada algo que não lhe diz respeito, de forma a se sentir responsável pelo outro. Pessoas com esse perfil geralmente centralizam tarefas e não as delegam, já que preferem fazer tudo sozinhas.

Outro motivo relacionado a dores nos ombros é a dificuldade para colocar algo em ação. Quando o assunto são desejos intensos de agir, parece que a pessoa se sente bloqueada em relação a como colocá-los em prática. Sendo assim, as energias não conseguem passar pelos braços, ficando retidas nos ombros.

Dores na coluna

Dores na coluna podem ser sinais de que a pessoa está sobrecarregando sua estrutura emocional. Pode ser que esteja assumindo mais responsabilidades do que é capaz de suportar ou até mesmo incumbências que não são dela.

Coração

Dores no coração podem ser reflexo de sentimentos e emoções. Por isso, se esse órgão adoece, é sinal de que a pessoa precisa trabalhar melhor o que sente. Sentimentos de rancor, mágoa ou vingança talvez estejam presentes na vida dela e sendo os causadores do problema.

O que fazer com as dores

Descubra a causa

É preciso fazer uma boa análise de como estamos lidando com as situações da vida. Assim, identificamos melhor as emoções, passamos a determinar limites e aprendemos a lidar com o problema. Se fizermos isso, nosso corpo responde positivamente.

É claro que devemos levar em consideração que muitos dos sintomas físicos e dores que sentimos advêm da genética que herdamos dos antepassados. Pode não ser simples diferenciar estes sinais dos psicossomáticos.

O que podemos fazer, entretanto, é o que está ao nosso alcance. A primeira é o conhecimento do histórico familiar para identificar a pré-disposição a determinado tipo de doença. A segunda é praticar o autoconhecimento para poder reconhecer as dores frutos de emoções.

Invista no seu bem-estar e saúde mental antes de o corpo dar avisos

A verdade é que todos, dentro das suas possibilidades, deveriam buscar o bem-estar físico, mental e emocional como medida preventiva. É muito melhor do que esperar que o organismo dê sinais de que as coisas não vão bem.

Trate você mesmo com carinho. Cuide de si próprio. Dê um jeito na sua agenda para que você consiga passar mais tempo fazendo o que gosta. Desenvolver um hobbie pode ser uma boa alternativa. Talvez agora seja a hora para você aprender aquilo que sempre quis fazer. Pode ser tocar um instrumento musical, praticar uma arte marcial, praticar pilates ou o que você tiver vontade.

Busque soluções para o que faz mal para você

Depois de identificar o problema e tratá-lo, busque por soluções práticas para tornar sua vida melhor. Desenvolva mecanismos para que os fatores ruins não causem tanto impacto negativo no seu dia. Também, tire da sua vida as pessoas com quem faz mal estar perto. Achegue-se mais a amigos e pessoas agradáveis.

Vá atrás de ajuda especializada

É interessantíssimo e muito aconselhável fazer isso por meio de tratamento psicoterapêutico. O psicólogo é o profissional capacitado para ajudar nesse processo de autoconhecimento e de reorganização interna. Entender o que sentimos é a chave para resolver doenças psicossomáticas e proporciona maior equilíbrio.

É claro que, ao aparecerem sintomas, deve-se seguir a orientação médica, que pode incluir o uso de medicamentos. Quando, entretanto, tratamos somente a doença física e não lidamos com o que a ocasionou, a tendência é que o corpo volte a manifestar a enfermidade em algum momento.

Por isso é que é tão importante desatar os nós emocionais com a ajuda de um psicólogo. Ao longo das sessões, aprende-se a desenvolver habilidades intrapessoais, que capacitam a pessoa a lidar melhor consigo mesma e desenvolvem o amor próprio.


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