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O que é Reumatismo?

Talvez você associe dores e doenças articulares a pessoas idosas. Talvez as relacione a condições de obesidade ou apenas a atletas de alta performance que se lesionam. Frequentemente, a ideia que temos a respeito do que sejam – e a quem acometem – sintomas e problemas de comprometimento articular pode ser bastante equivocada.

Inúmeros são os mitos que circundam nosso conhecimento sobre as doenças reumáticas – ou o que popularmente se costuma chamar de “reumatismo”.

Reumatismo é um termo genérico usado para fazer referência a um vasto grupo de doenças que acometem articulações, ossos, tendões e músculos (além de algumas doenças do sistema imunológico).

De acordo com especialistas, o “reumatismo” integra mais de 120 patologias, e elas podem acometer indivíduos de todas as idades, até mesmo crianças – a artrite idiopática juvenil (AIJ), por exemplo, atinge crianças na faixa dos 6 meses aos 16 anos de idade!  

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 38 milhões de pessoas sofrem com algum tipo de reumatismo no mundo. No Brasil, a estimativa é que 15 milhões de brasileiros sejam portadores de alguma doença reumática.

Quanto às patologias reumáticas que afetam especificamente as articulações – as famosas “juntas”, estruturas corporais que conectam ossos, ou ossos e cartilagens –, podemos dividir, de modo simplificado, dois grupos: as Doenças Degenerativas ou Artrose, e Doenças Inflamatórias, também chamadas de Artrites.

Artrose x Artrite

Sem grande rigor, a artrose se caracteriza pela degeneração da cartilagem articular – geralmente causada pelo excesso ou desgaste no uso das articulações principais, ou daquelas cuja utilização é mais exigida e que suportam mais peso (como a das mãos, joelhos, quadris e colunas cervical e lombar). As dores são resultado deste processo.

Já nas artrites, a dor articular é consequência de um processo inflamatório. A artrite é, portanto, um sintoma, uma manifestação comum de inúmeras doenças que causam inflamação das articulações (como a Artrite Reumatoide, Gota, Artrite Psoriática, bursite, tendinite, entre outras tantas). Por isso, nas artrites, a dor vem acompanhada de sinais inflamatórios como vermelhidão, calor e inchaço.

Atualmente, a osteoartrite, nome correto da artrose, é o tipo mais comum de todas as doenças articulares e afeta 4% dos brasileiros. Normalmente atinge pessoas de idade mais avançada e, segundo a revista britânica Rheumatology, é a causa de incapacidade física que mais cresce no mundo.

Na artrose, a dor costuma ser provocada pelo movimento da articulação acometida – normalmente acompanhada de estalos e crepitações, mas raramente de edemas ou sintomas de inflamação – e cessa com o repouso (já que as complicações da doença são resultado do desgaste pelo decurso do tempo).

Dados apontam que 80% a 90% das pessoas acima de 40 anos já mostram sinais de artrose ao realizarem um exame de raio-X, e homens e mulheres são acometidos na mesma proporção.

A dor, que pode se instalar timidamente no início da doença, tende a ir aumentando com o passar dos anos e, com o tempo, é comum que ocorra também o enrijecimento e diminuição da mobilidade articular durante a movimentação (mas que costuma cessar dentro de alguns segundos ou minutos).

Além disso, a hipertrofia óssea é muito característica na doença, especialmente com o surgimento dos chamados “nódulos de Heberden” (os famosos abaulamentos que se desenvolvem mais próximos à ponta dos dedos quando a artrose se manifesta nas mãos).

Já as artrites – causadas pela inflamação – podem ser do tipo traumáticas (provocadas por acidentes ou torções); metabólicas, como é o caso da Gota; infecciosas (causadas por bactérias, na maioria das vezes); e até mesmo ligadas a uma disfunção do sistema imunológico.

A artrite reumatoide (AR), uma das mais comuns e sérias doenças do grupo das artrites, faz parte deste último tipo, classificando-se como uma doença autoimune. Ela chega a afetar até 1% da população adulta, e três vezes mais mulheres do que homens. No Brasil, estima-se que há dois milhões de pessoas com essa patologia.

A AR é uma doença inflamatória crônica predominante das articulações das mãos, punhos, cotovelos, ombros, quadris, joelhos, tornozelos e pés (além da coluna vertebral), mas que também compromete órgãos internos como pulmão, coração e rins – e não tem relação com a idade do paciente.

Como doença autoimune, geralmente seus portadores são indivíduos geneticamente predispostos e, em algum momento da vida, sujeitam-se a determinados fatores ambientais que favorecem a manifestação da doença.

O próprio corpo ataca as articulações saudáveis do portador provocando inchaço, rigidez, aumento da temperatura e dores intensas capazes de limitar diversas movimentações funcionais do cotidiano, além de causarem problemas mais graves no funcionamento de outros órgãos.

Os sintomas da fase ativa da doença, além da dor articular e sinais locais de inflamação, incluem fadiga, falta de energia, cansaço, perda de apetite e de peso.

Diferentemente do que acontece na artrose, a dor é constante e tende a se acentuar no repouso. É comum experimentar rigidez articular matinal logo ao despertar (devido ao acúmulo de líquido inflamatório durante o período de inatividade de movimentos) e dores musculares generalizadas.

A grande maioria dos reumatismos, seja a artrose ou um dos vários tipos de artrites, não tem cura, e a dor articular, como vimos, pode estar associada a uma variedade enorme de doenças diferentes, que se distinguem em origem, intensidade e formas de tratamento.

No entanto, qualquer que seja o tipo de dor, há uma série de comportamentos gerais – facilmente aplicáveis ao nosso dia-a-dia – capazes de proteger as articulações do desgaste, evitar inflamações, e até mesmo minimizar lesões articulares consolidadas.

Acompanhe a leitura e aprenda como proteger suas articulações com hábitos simples, prevenindo a incidência do reumatismo e seus efeitos, ou melhorando sua qualidade de vida se você já convive com algum tipo de dor articular!

Como manter a saúde das articulações e evitar ou melhorar o Reumatismo?

1. Cuide da sua mecânica corporal

Se você quer prevenir dores e problemas nas articulações, ou melhorar os sintomas e consequências de dores já instaladas, o primeiro hábito a ser revisado não pode outro que não o modo como praticamos nossas atividades físicas diárias – esportivas ou não.

A artrose, como vimos, decorre do desgaste de cartilagens ligadas às articulações que mais usamos, ou que suportam mais peso.

O papel das cartilagens é absorver e distribuir a carga aplicada sobre o sistema articular e impedir o atrito entre os ossos, protegendo a integridade das articulações.

Em geral, os efeitos da degradação da cartilagem começam a ser sentidos aos 50 anos e evoluem progressivamente ao ponto de, aos 80, 100% das pessoas apresentarem alteração cartilaginosa – e, consequentemente, deformidades articulares, com grande potencial de desenvolverem dores.

Por este motivo é que, além do avanço da idade, o sobrepeso também é importante catalisador da artrose – já que sobrecarrega a demanda das cartilagens e acelera o processo natural e inevitável de desgaste.

Assim, ainda que não exista tratamento capaz de reverter ou impedir o mecanismo que conduz à artrose, adotar medidas simples no modo como nos movimentamos ajuda a preservar a cartilagem por mais tempo e retardar o início do desgaste, impedindo a evolução mais rápida e dolorida das lesões articulares:

  • Sempre repouse depois de realizar uma atividade que solicite a articulação comprometida;
  • Policie-se para manter uma postura adequada ao sentar, andar e levantar objetos, evitando as posições que sobrecarreguem qualquer articulação;
  • Evite carregar peso excessivo e praticar atividades que causem impactos repetitivos;
  • Desacostume-se a estalar os dedos;
  • Use calçados confortáveis que ofereçam boa base de apoio, jamais sobrecarregando os calcanhares;
  • Alongue-se com cuidado e diariamente. Mova cada articulação do corpo em toda a amplitude de movimento, mas sem alcançar o ponto de sentir dor;
  • Alterne atividades leves e moderadas durante o dia – e evite a pressa, priorizando ritmo moderado e constância;
  • Sempre que realizar qualquer atividade por um longo período, faça um intervalo e movimente-se variando de posição;
  • Nos casos mais avançados, invista nos acessórios e dispositivos que auxiliam na realização de tarefas físicas recorrentes e repetitivas: bengalas, andadores, corrimãos e alças de apoio em ambientes como banheiro e cozinha são fundamentais;

2. Não abra mão do exercício físico

Durante as crises de dor nas articulações, especialmente no caso da artrite reumatoide, os médicos costumam prescrever repouso – e é sempre prudente acatar as orientações deste profissional.

No entanto, fora desta hipótese, praticar atividade física é um dos mais eficazes meios de prevenir dores e doenças articulares, controlar seus sintomas e recuperar qualidade de vida.

A prática frequente de exercício físico adequado melhora a mobilidade, diminui a inflamação e auxilia na atenuação da própria dor.

O grande responsável por estes efeitos é o fortalecimento muscular, melhor amigo das articulações saudáveis. Quanto mais músculos e mais fortalecidos, menor é a sobrecarga óssea e articular.

Nas palavras do Dr. Isidio Calich, médico reumatologista do Hospital Sírio Libanês, “é preciso proteger tudo o que está em volta das articulações: ligamentos, tendões, músculos. A atividade física correta ajuda a manter e a desenvolver adequadamente as estruturas que cercam a articulação a fim de garantir a movimentação”.

Além disso, o exercício físico contribui diretamente para evitar a obesidade, sobrepeso e até mesmo o tabagismo – fatores de risco no reumatismo.

Para atingir estes resultados com segurança, sem arriscar forçar as articulações e alcançar o efeito contrário, porém, é importante que você atente a alguns cuidados:

1. Na musculação, invista em movimentos isométricos (sem movimento). Eles fortalecem a musculatura sem exigir das articulações, conferindo a elas estabilidade.

2. Ao utilizar carga para se exercitar, inicie com pouco peso e repetições lentas.

3. Evite correr e praticar outras modalidades de exercício aeróbico: estas atividades aumentam a instabilidade das articulações e podem agravar a dor. Invista nestes esportes quando sua musculatura já se encontrar suficientemente fortalecida – e, ainda assim, nunca deixe de conferir atenção especial às articulações.

4. Eleja exercícios de baixo impacto como ioga, pilates, ginástica e caminhada. A natação e hidroginástica, em especial, facilitam a flexibilidade das articulações e promovem alívio da dor e rigidez.

5. Pedalar pode ser uma boa atividade física para fortalecer a musculatura – mas se seus joelhos sentirem dor, parta para outra modalidade esportiva.

6. Sempre considere consultar seu médico antes de iniciar a prática de uma nova atividade física – priorize realizar exercícios indicados por ele e busque fazê-lo sob a supervisão de um educador físico (principalmente se você já é portador de reumatismo, em particular a artrite reumatoide). Se possível, alie o cuidado interdisciplinar de profissionais de saúde e busque também a orientação de um fisioterapeuta.

3. Preste atenção ao prato

Como já mencionamos, as artrites representam dores articulares resultados de processos inflamatórios.

Apesar de não existir cura para a maior parte destes tipos de reumatismo, especialmente a AR, foi justamente a natureza inflamatória destas doenças que indicou um caminho promissor para tratar estas patologias: a dieta anti-inflamatória. 

Com base nesta premissa, confira uma seleção dos principais alimentos e grupos alimentares com potencial anti-inflamatório que você pode – e deve! – agregar ao seu cardápio diário para prevenir ou atenuar as dores articulares:

Peixes de águas profundas: salmão, sardinha e truta são exemplos de peixes ricos em Ômega-3 e Vitamina D (cuja obtenção é feita, de 10 a 20%, pela dieta): substâncias associadas à diminuição das chances de desenvolvimento da AR;

Alho: abastecido de fitoquímicos com propriedades anti-inflamatórias, este alimento está relacionado ao alívio das crises de artrite e fortalecimento do sistema imunológico;

Gengibre e cúrcuma: assim como o alho, têm poderoso efeito anti-inflamatório e promovem diminuição de diversos tipos de dores, dentre elas a articular. Os ativos responsáveis por estas propriedades são o gingerol e a curcumina, respectivamente;

Vegetais verde-escuros e folhosos: brócolis, espinafre, agrião, chicória, couve, escarola, rúcula, entre outros, principalmente pela presença da vitamina K, são vegetais com potencial anti-inflamatório e protetores da saúde dos ossos e coração;

Pimenta: com ação semelhante ao gingerol, a piperina e capsaicina presentes na pimenta têm mostrado importantes resultados no combate das dores articulares;

Nozes: assim como os peixes de águas profundas, essa oleaginosa é rica em Ômega-3;

Uvas: o famoso Resveratrol presente nas uvas, além de antioxidante, previne o espessamento das articulações associadas à artrite e diminui os processos inflamatórios;

Azeite de Oliva: é fonte de Ômega-9, uma gordura monoinsaturada associada ao reforço do sistema imunológico e diminuição de efeitos inflamatórios. Acredita-se que o consumo rotineiro do azeite contribua para a redução dos danos articulares da AR;

Assim como alimentos anti-inflamatórios têm o potencial de prevenir a ocorrência de reumatismos e contornar seus sintomas, uma dieta rica em alimentos de caráter inflamatório traz efeito contrário: acelera os processos de surgimento das doenças e dores articulares.

Ajude seu corpo e evite, ou restrinja completamente, o consumo de: laticínios; açúcar; Glutamato Monossódico (MSG); álcool; gorduras saturadas; Aspartame; carboidratos refinados (como pães, bolos e massas); alimentos que são consumidos a temperaturas muito elevadas (fritos e grelhados) e alimentos ricos em gordura trans (como margarina, bolachas recheadas, salgadinhos e “fast-foods”).

.4. Cuide da sua imunidade

Conforme vimos, a artrite reumatoide é uma patologia autoimune e, assim como outros tipos de artrites, as complicações impostas pela doença muitas vezes não se limitam às articulações, atingindo e prejudicando outros órgãos e sistemas do corpo.

O estado de inflamação instaurado no organismo pela ação da AR torna-o mais suscetível ao entupimento das artérias e, consequentemente, eleva os ricos de infartos, doença coronariana, hipertensão arterial, acidente vascular cerebral (AVC) e outras condições cardiovasculares.

A artrite reumatoide pode, ainda, atingir a saúde dos olhos, nervos e pulmões, por exemplo, e dar origem a uma infinidade de outras doenças concomitantes – ou o que se costumar chamar de “comorbidades associadas”.

Diante disso, conferir cuidado redobrado ao sistema imunológico é imperativo para o paciente portador de AR. Além de manter-se imunizado com todas as vacinações em dia, evitando a ocorrência de outras doenças infecciosas capazes de agravar o quadro, mantenha o ciclo do sono regulado.

Preservar a qualidade do sono e noites bem dormidas tem relação direta com um sistema de defesa forte e também com a diminuição da frequência das dores.

Para manter sua imunidade em níveis satisfatórios, exponha-se regularmente ao sol, abandone o tabagismo e esteja em dia com a realização de seus exames de rotina.

Visitar frequentemente o médico, além de possibilitar o monitoramento dos seus demais marcadores de saúde, garante que a artrite reumatoide possa ser detectada o quanto antes.

Ainda que não tenha cura, o diagnóstico precoce de AR (e de qualquer doença reumatológica) antecipa as medidas de tratamento, contribuindo para minimizar o impacto da doença no dia-a-dia, prevenir danos irreversíveis, aliviar a dor e aumentar as chances de remissão.

Além do tratamento médico convencional, que inclui a administração de drogas analgésicas e anti-inflamatórias, busque por soluções naturais e alternativas para combiná-las a terapia alopática e fortalecer o sistema imune – lembrando-se sempre de consultar seu reumatologista antes de qualquer escolha.

Existem inúmeras formulações farmacêuticas enriquecidas com ativos anti-inflamatórios naturais e vitaminas que fortalecem as articulações ao mesmo tempo em que reduzem os sintomas da dor. É o caso do enxofre orgânico (MSM), UC II e SAMe.

MSM reduz ou elimina desconfortos musculares e articulares, regenerando cartilagens e tratando dores crônicas de diversos tipos (musculares, ósseas, articulares, dermatológicas e, principalmente, relacionadas à osteoartrite).

UC-II é uma substância de colágeno tipo II que age juntamente com o sistema imunológico para manter a saúde articular em todos os níveis. Ele promove mobilidade, flexibilidade e conforto das articulações inflamadas. É recomendado para prevenir reumatismos e amenizar seus efeitos nas articulações e cartilagens.

SAMe atua como uma vitamina polivalente melhorando funções de humor, fígado e articulações. Age aliviando sintomas relacionados a diversas desordens mentais ao mesmo tempo em que reduz dores e inflamações relacionados ao desgaste de cartilagem e seu reflexo nas articulações.

Técnicas integrativas como a acupuntura, osteopatia e quiropraxia, por exemplo, também possuem enorme potencial na complementação do tratamento dos reumatismos e contribuem significativamente para a promoção de um sistema imunológico mais sadio e preparado.

Consulte as melhores opções pra você e lembre-se sempre: nunca substitua o tratamento médico por qualquer das recomendações indicadas aqui. Tenha o acompanhamento profissional especializado e individualizado sempre como primeira e mais importante providência no tratamento de qualquer doença, em especial dos reumatismos.

Categorias: Saúde

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