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Você sabe por que Agosto é o “mês dourado”?

Janeiro Branco, Maio Amarelo, Outubro Rosa, Novembro Azul… O calendário dos meses coloridos busca promover campanhas mundiais de prevenção e conscientização acerca de importantes temas de saúde. Nele, Agosto se destaca ao levantar um assunto que vem ganhando cada vez mais visibilidade: a amamentação.

Agosto Dourado representa o mês de incentivo à amamentação, e a cor dourada simboliza uma referência ao “padrão ouro” que o leite materno ostenta como alimento infantil – este leite é considerado o alimento mais completo para o bebê e, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), recomenda-se que seja o único até o sexto mês de vida da criança.

 Em 2017 o Brasil instituiu, por meio de uma lei federal, o mês de Agosto como o Mês do Aleitamento Materno, e desde então o oitavo mês do ano passou a ser oficialmente dedicado à intensificação de ações voltadas a abordar a importância do assunto. O movimento que originou esse passo tão importante, no entanto, tem origem há muito mais tempo que isso – e neste ano de 2020 completa exatos 20 anos.

Em 1990, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a UNICEF celebraram um encontro internacional para discutir problemas e pautar soluções sobre questões de saúde da criança e mortalidade infantil. Como resultado deste encontro surgiu a elaboração de um documento batizado de Declaração do Innocenti, que reconheceu a amamentação como solução central para estes desafios e definiu uma agenda mundial sobre o tema, listando metas que visam proteger, promover e apoiar o aleitamento materno.

Este documento dá início a uma linda história de envolvimento global com o tema da amamentação. Em 1992, cria-se a Semana Mundial de Aleitamento Materno como forma de incentivar a prática das metas estipuladas na Declaração do Innocenti pelos países que se comprometeram com as propostas ali colocadas, dando destaque mundial ao tópico da amamentação durante toda a primeira semana de Agosto.

Hoje, a Semana Mundial de Aleitamento Materno é celebrada do dia 1 a 7 de Agosto em mais de 150 países, inclusive no Brasil. Aqui, é o Ministério da Saúde que coordena nacionalmente a Semana Mundial, elaborando e divulgando uma programação especial de ações voltadas a promover esta temática.

Neste ano, o Ministério da Saúde brasileiro iniciou a Semana Mundial de Aleitamento Materno divulgando uma pesquisa inédita que revela uma notícia a ser festejada: os índices de amamentação aumentaram significativamente no Brasil, e apontam que mais da metade (53%) das crianças brasileiras continua sendo amamentada no primeiro ano de vida (e entre as menores de seis meses o índice de aleitamento materno exclusivo é de 45,7%).

Junto com a pesquisa o Ministério também lançou o mote da campanha da SMAM e do Agosto Dourado no país: “Apoie a amamentação: proteger o futuro é um papel de todos”. O slogan se alinha ao lema escolhido pela Aliança Mundial para a Amamentação (WABA, na sigla em inglês) para ser a tônica global do evento este ano: “Apoie a amamentação para um planeta mais saudável”.

Você sabia que a amamentação contribui não só para a saúde do bebê e da mãe, mas também para a saúde do planeta? Acompanhe a leitura deste artigo e conheça os principais benefícios que o ato de praticar e apoiar o aleitamento materno pode proporcionar a todos os envolvidos, inclusive ao meio ambiente!

Conheça os principais benefícios da amamentação para a saúde do bebe, da mãe e do planeta!

Benefícios para a saúde do bebê

1. Fortalece o sistema imunológico e diminui o risco de desenvolver doenças

O leite materno é o único que contém anticorpos naturalmente e é considerado o alimento ideal para toda criança, pois é totalmente adaptado às suas necessidades nos primeiros anos de vida. Além disso, comporta outras substâncias capazes de proteger o bebê de infecções muito comuns do período da primeira infância, como diarreias, infecções respiratórias, infecções de ouvidos (otites) e anemia.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, a amamentação também reduz em até 13% a mortalidade infantil por causas evitáveis em crianças menores de 5 anos.

E mais do que proteger a saúde do bebê durante o período de aleitamento, o leite produzido pela mãe tem a capacidade de contribuir para o desenvolvimento de seu sistema imunológico de longo prazo, favorecendo respostas imunes mais fortes ao longo de toda a vida do indivíduo que foi amamentado.

Assim, a amamentação gera preciosos reflexos futuros nas defesas do organismo, podendo prevenir o surgimento de diversas doenças inclusive na fase adulta, evitando comorbidades como a obesidade, diabetes tipo 2, doenças intestinais, asma e o desenvolvimento de inúmeros tipos de alergias, especialmente as alimentares.

2. Reforça o vínculo afetivo com a mãe

Além de suprir com primor todas as necessidades nutricionais da criança, fortalecendo suas células, sistemas e corpo como nenhum outro alimento, o leite materno também provê para o amamentado outro tipo de nutrição importante: a emocional.

A amamentação é um ato de interação único entre a mãe e o bebê e este momento é capaz de construir e fortalecer os laços afetivos entre os dois de modo incomparável.

As trocas sensoriais de calor, cheiros, sons, olhares e toques que a amamentação proporciona estreita a relação entre a mulher e a criança e faz com que ambos possam se conhecer com maior intimidade e estreitem seus vínculos emocionais, colaborando para a saúde integral dos dois indivíduos.

3. Contribui para o desenvolvimento neurológico e motor

Como vimos, o aleitamento materno nutre física e emocionalmente o bebê, reforçando seu sistema imunológico e contribuindo para que adoeça menos, tanto quando criança como quando adulto. Mas sabe-se que a amamentação também é capaz de aperfeiçoar o desenvolvimento infantil na parte psíquica e motora.

Os movimentos que a criança faz para retirar o leite do peito, os chamados “movimentos de sucção”, são um exercício importante para a boca e para todos os músculos do rosto do bebê. O desenvolvimento adequado desta musculatura melhora, simultaneamente, a coordenação motora e neurológica da criança, e garante que ela adquira facilidade para executar com êxito outras movimentações e funções primordiais como a respiração, mastigação, deglutição, fala e até mesmo o alinhamento dos dentes.

Além disso, crianças amamentadas têm melhor desempenho em testes de inteligência e tendem a serem adultos mais produtivos.

Benefícios para a saúde da mãe

Além da criação de vínculo afetivo e sensação de bem-estar que o aleitamento materno proporciona à mãe no momento da amamentação, estudos demonstram que o ato de amamentar faz bem à saúde da mulher nos mais diversos aspectos:

• Melhora a saúde mental da mulher, aumentando sua autoestima e autoconfiança;

Reduz as chances de desenvolvimento de cânceres de mama, ovário, útero e diabetes tipo 2.O risco de desenvolver o câncer de mama reduz em 6% a cada ano que a mulher amamenta;

• Tende a aumentar o intervalo entre os partos;

Diminui o sangramento e acelera a perda de peso no pós-parto;

• Previne o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e síndromes metabólicas, como infarto e diabetes gestacional;

Benefícios para a saúde do planeta e sustentabilidade ambiental

Como pudemos constatar, o aleitamento materno gera vantagens grandiosas à saúde de quem amamenta e quem é amamentado. Mas o impacto da amamentação extrapola os campos individuais destes dois protagonistas: mãe e bebê.

Exercer e apoiar o aleitamento materno produz um número enorme de efeitos positivos em toda a sociedade – cultural, econômica e ambientalmente!

Amamentar é bem mais barato do que alimentar a criança com qualquer outro tipo de leite e fórmulas infantis, é gratuito e economiza recursos como água e gás (além do tempo de preparação), deixando de impactar o orçamento familiar.

Culturalmente, contribui para a formação de indivíduos mais preparados emocionalmente e que tendem a adoecer com menos facilidade – diminuindo os custos com tratamentos de doenças nos sistemas públicos e particulares de saúde. Também é responsável pela segurança alimentar e nutricional de todas as crianças do mundo, marcando seu lugar no combate à fome e desnutrição em todo o globo.

Além disso, o leite materno é um alimento totalmente natural, não industrializado, e não gera a preocupante poluição das embalagens descartáveis, bem como o desperdício de recursos naturais para sua produção.

Ao exercermos e apoiarmos o aleitamento materno, contribuímos para a diminuição da produção leiteira animal, poupando a natureza dos prejuízos conhecidos desta indústria: causados principalmente pelo excesso de resíduos gerados – e que estão diretamente relacionados ao aumento do efeito estufa!

Valorizar a amamentação é um ato de consciência para com a saúde e empatia em relação ao mundo. Amamentar também é cuidar do futuro!

Amamentação e doação de leite na pandemia

Em função da pandemia de COVID-19 gerada pelo Novo Coronavírus, muitas dúvidas têm surgido quanto à segurança em manter o aleitamento materno durante este período.

No entanto, a OMS e Ministério da Saúde recomendam a manutenção regular da amamentação nesta fase de pandemia, justificando que não há evidências científicas significativas disponíveis até agora que apontem para a possibilidade de transmissão do Coronavírus por meio do leite materno.

Segundo orientação do Ministério, as mães que tenham confirmação da infecção pela doença ou sejam casos suspeitos de COVID-19 “devem ser orientadas por profissionais de saúde a realizarem a extração do leite materno manualmente ou por bomba”, e o leite  retirado “deve ser ofertado à criança de preferência usando um copo e/ou colher limpos” (pela própria mãe, se assim ela desejar e tiver condições clínicas para isso, ou por outra pessoa saudável e com quem o bebê se sinta confortável).

Nota de Alerta emitida pela Sociedade Brasileira de Pediatria em março/2020 também demonstra que a comunidade pediátrica é favorável à manutenção da amamentação em casos de mães portadoras ou suspeitas portadoras do COVID-19, mas atenta para publicações científicas que recomendam que estas mães devam lavar as mãos antes de tocar no bebê para a mamada e utilizar máscara facial durante a amamentação

Quanto à doação de leite humano, a orientação do Ministério da Saúde é que mulheres saudáveis continuem doando leite – agora mais do que nunca, pois houve registro de queda abrupta nas doações em todo o país. Segundo o Órgão, um pote de leite materno doado pode alimentar até 10 recém-nascidos por dia!

 As doadoras devem se informar previamente sobre a necessidade de agendamento nos postos de coleta ou bancos de leite para evitar aglomerações, e suspender a doação caso apresentem sintomas gripais ou convivam com alguém que apresente.

E não esqueça: sempre procure um profissional de saúde para orientações individualizadas!


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