COVID-19: O que é, sintomas e Hidroxicloroquina

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O coronavírus (COVID-19), segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é uma doença infecciosa causada por um novo vírus que causa problemas respiratórios semelhante à gripe e causa sintomas como febre, cansaço e tosse seca. Alguns pacientes podem ter dores, congestão nasal, dor de garganta ou diarreia, outros podem ser infectados e não apresentarem sintomas.

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Cerca de 80% dos infectados se recuperam da doença sem precisar de tratamento especial, porém, pessoas idosas e que têm outras condições de saúde, como pressão alta, problemas cardíacos, diabetes ou os imunocomprometidos, têm maior probabilidade de complicações e a doença pode evoluir rapidamente para quadros respiratórios mais graves.

Segundo o Ministério da Saúde, as investigações sobre as formas de transmissão do coronavírus ainda estão em andamento, mas sabe-se que qualquer pessoa que tenha contato próximo (cerca de 1m) com alguém com sintomas respiratórios está em risco de ser exposta à infecção. A transmissão costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como: gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão, contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos. 

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O período médio de incubação por coronavírus é de 5 dias, com intervalos que chegam a 12 dias, período em que os primeiros sintomas levam para aparecer desde a infecção. A transmissibilidade dos pacientes infectados é em média de 7 dias após o início dos sintomas. No entanto, dados preliminares sugerem que a transmissão possa ocorrer mesmo sem o aparecimento de sinais e sintomas. 

TRATAMENTO

Seguindo recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Ministério da Saúde, indica o uso de medicações analgésicas como paracetamol e dipirona. Além disso, uma nota publicada pelo mesmo recomenda “o não uso” de ibuprofeno e outros anti-inflamatórios não esteroidais (AINE’s) para pessoas com sintomas do novo coronavírus. De acordo com o porta voz da Organização Mundial da Saúde não há evidência robusta em estudos preliminares de como o uso de anti-inflamatórios, como o ibuprofeno, possa agravar o quadro de pacientes com o novo coronavírus, mesmo assim, é prudente evitar o uso ou administrá-lo com cautela até que mais estudos baseados em evidência científica possam validar essa situação.

Entretanto, mesmo os medicamentos indicados pela OMS, são utilizados apenas para combater os sintomas da doença e não como cura ou prevenção. Dessa maneira, a busca por um tratamento seguro e eficaz vem sendo o maior desafio atualmente, levando os cientistas a buscarem medicamentos já utilizados para outros fins e testá-los para a essa nova doença.

HIDROXICLOROQUINA

Alguns artigos publicados na última quinzena mostraram resultados promissores para a utilização do medicamento Hidroxicloroquina como um possível tratamento para a COVID19.  Mas, afinal, como um medicamento utilizado para tratamento de malária, artrite reumatoide e lúpus pode ser uma saída nesse momento crítico mundial?

Segundo o artigo ‘’COVID-19: a recommendation to examine the effect of hydroxychloroquine in preventing infection and progression’’, a Hidroxicloroquina (HCQ) é um derivado menos tóxico da Cloroquina (CQ) e ambos apresentam um bom histórico de segurança e distribuição por todo corpo após administração oral. Os autores sugerem que através de um mecanismo complexo envolvendo alteração do pH intracelular e imunomodulação, o fármaco é capaz de impedir a ligação do vírus aos receptores celulares e consequentemente evitar a infecção.

Apesar de promissor, esse estudo foi realizado apenas em células in vitro (ou seja, não foi testado em humanos), e por isso ainda precisam ser realizadas mais pesquisas para confirmar a eficácia e segurança da HCQ em pacientes com COVID-19. 

Outro estudo, publicado por um grupo de pesquisadores da Universidade de Aix-Marseille, na França, divulgou um estudo clínico (agora sim, em humanos) preliminar sobre o uso de HCQ no combate ao COVID19.  Um grupo de 20 pacientes, em diferentes estágios da doença. Os pacientes foram submetidos a doses diárias de 600mg da substância por seis dias. Alguns deles também foram tratados com azitromicina, antibiótico usado em tratamentos de infecções respiratórias. Outros 16 pacientes foram usados como grupo de controle. 70% dos tratados com Hidroxicloroquina se curaram da Covid-19, incluindo todos os que receberam também a azitromicina.

Embora os resultados sejam animadores e a pesquisa tenha sido feita com humanos, a quantidade de pessoas, ou seja, a amostra do estudo, segundo os próprios pesquisadores admitem, é muito pequena.  Além disso, o estudo não foi randomizado e os testes não foram “cegos” e pesquisa foi divulgada antes de passar pelo processo de revisão por outros cientistas que avaliam os métodos e os dados apresentados pelos pesquisadores, conferindo mais segurança ao estudo.

CONCLUSÃO

Dessa maneira, podemos afirmar que a AUTOMEDICAÇÃO para a COVID-19 não é recomendada, já as pesquisas não foram totalmente concluídas e ainda não se sabe se há efeitos colaterais do uso por pacientes infectados com o coronavírus. Entretanto, após a divulgação desses estudos, muitas notícias circularam pelas redes sociais e muitas pessoas compraram desenfreadamente o fármaco.  A consequência disso foi que os pacientes que fazem uso da HCQ para doenças como Lúpus e Artrite Reumatoide estão com dificuldades severas em encontrar o medicamento nas farmácias.

Através de uma nota, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) se posicionou declarando que: ‘’Para a inclusão de indicações terapêuticas novas em medicamentos, ainda é necessário conduzir estudos clínicos em uma amostra representativa de seres humanos, demonstrando a segurança e eficácia para o uso pretendido.’’

Como forma de barrar a compra irracional do medicamento e garantir que pacientes que já utilizam o mesmo não fiquem sem tratamento, a ANVISA ainda declarou na última sexta (20), que a Hidroxicloroquina só poderá ser vendida mediante a apresentação da receita branca especial, em duas vias. Ainda assim, é importante ressaltar que o uso indiscriminado da substância pode causar efeitos colaterais que vão desde vômitos e diarreia até complicações graves como retinopatia (lesão na retina), podendo em casos severos levar a perda da visão.



Anne Góes
Farmácia Quallitá

CRF PR 32679

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